“Olhe para o jardim do Getsêmani por um momento. “Pai, passa de mim este cálice”. Gotas de sangue, suor vindo de Sua testa. “Pai, passa de mim este cálice”. Esses pregadores… Eles dizem: “Ah, Jesus não queria ir para aquela cruz romana”. Isso é uma mentira! “Ah, Jesus estava com medo do diabo”. Blasfêmia! “Ah, Jesus temia aquele chicote, Ele não queria ir para lá”. Absurdo! Deixe-me fazer-lhe uma pergunta. Depois da morte e ressurreição de Jesus Cristo, estima-se que 50 milhões de homens, mulheres e crianças morreram como mártires, por sua profissão de fé em Jesus Cristo. Na igreja primitiva, nos tempos dos puritanos e da Reforma, muitos dos seguidores de Jesus foram crucificados. Alguns foram não apenas crucificados, mas de cabeça para baixo. Outros eram cobertos de piche e lhes ateavam fogo para iluminar as ruas de Roma. Todavia, muitos desses seguidores de Jesus, prestes a serem martirizados, cantavam hinos cheios de alegria. Você realmente acredita que o Capitão de nossa Salvação está em um jardim, acovardado por causa da cruz, mesmo sabendo você que Seus discípulos foram para a mesma cruz com alegria nos corações? Você pensa que o Capitão de nossa Salvação seja tão fraco? Pense, homem! Jesus não estava com medo de uma cruz, de um prego, de uma lança ou de uma coroa de espinhos. O que havia no cálice? Eu nunca esquecerei o dia em que preguei em uma escola teologicamente reformada, há muitos anos. Eu fui lá e disse: “Bom, vocês me chamaram aqui para pregar, estou aqui”, e me informaram: “Você pregará no auditório, para pessoas que vão desde o Jardim de Infância ao Ensino Médio”. Eu fiquei um tanto assustado: “Bom, eu vou ensinar sobre a propiciação. É uma faixa etária muito larga, não acha?”. Eles disseram: “Isso não será problema, Sr. Washer”. Então eu subi lá para pregar, e enquanto eu estava pregando, eu parei e disse: “O que havia no cálice? O que era aquilo que fez Cristo tremer?”. Eu nunca me esquecerei daquela menininha de oito anos que ergueu a mão, levantou-se, ficou do lado da carteira e disse: “Sr. Washer, a ira de Deus estava no cálice”. Sim! O ódio feroz de Deus contra tudo o que é mal estava no cálice. Uma mísera cruz de madeira? Todo homem está sob a feroz e justa ira de Deus por causa de sua perversidade, e alguém tinha que beber essa ira. Jesus Cristo, naquele madeiro, suportou a culpa de Seu povo e permaneceu no lugar de julgamento deles. Então, todo o ódio, toda a santidade, toda a ira, toda a justiça e todo o julgamento de Deus, como uma luz branca ofuscante, tudo aquilo veio esmagando a cabeça de Seu Filho unigênito. Você nunca leu que “ao Senhor agradou moê-lo” (ou seja, “reduzi-lo a pó”, cf. Is 53.10)? Imagine, por um momento, uma represa de 10 mil quilômetros de altura e 10 mil quilômetros de largura, com você logo abaixo dessa coisa, a um quilômetro de distância da muralha. Então, de repente, em um único segundo, a muralha desaparece e toda aquela água desce esmagando você. Porém, milésimos de segundos antes de aquela força esmagadora chegar aos seus pés, o chão se abre e engole toda a água. Assim também a ira de Deus, destinada às pessoas, foi engolida pelo sacrifício de Cristo pouco antes de nos atingir. O Filho de Deus tomou aquele cálice da mão de Seu Pai e bebeu cada gota, de modo que, quando Ele gritou “Está consumado!” (Jo 19.30), Ele virou o cálice e nem uma gota caiu: Ele havia bebido tudo!”
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